#ForaTemer
Segundamente:
Este blog era parte dos meus planos desde a ligação do Projeto Guri, confirmando que eu teria passado nas seletivas. E, graças a Deus e ao wi-fi ruim, na Noruega eu mal tive tempo de ligar o computador. Hoje, depois de tanto tempo (incluindo quase 20 horas de voo), consegui. Comprei um chip com meu novo número moçambicano, um pacote de internet de 5MB por 500 meticais e estou usando o celular como um roteador. Talvez isso esteja consumindo toda minha internet, mas hora ou outra seria preciso. E eu e os meninos contamos com aquela força da JM Norway pra conseguirmos um sinal de wi-fi legal.
Enfim, estou aqui. No país que será minha nova casa pelos próximos dez meses. Um país quente, em clima e recepção. Não vou mentir, não é um paraíso... Não está nem perto disso, na realidade. Mas ninguém disse que seria. E eu também não estou aqui para revolucionar. Sou mais um, como qualquer outro aqui, disposto a aprender e ensinar o pouco que sei. Minha função não é mudar o mundo... Talvez esteja mais ligado a provocar uma pequena mudança em cada um. Isso pode reverberar, ou não. Mas preciso estar ciente da minha posição como receptor. Acredito que apenas sendo o que fui em todos esses 24 anos, incluindo (mais) erros (do que) acertos, naturalmente irei mostrar um pouco da minha cultura e da forma que levo a musica como algo vital. Não foi preciso muito tempo para me sentir musicalmente abrigado. É de se perceber o quanto a técnica e a virtuosidade não são a chave do ensino aqui. As coisas acontecem, no feeling, na unha... e acontecem! É lindo e é muito do que procuro quando toco a minha música. Me lembro até hoje do dia em que a Alessandra, coordenadora do Projeto Guri, perguntou o que eu tinha pra oferecer nesse intercâmbio. Fui sincero, disse que naquela sala de espera haviam músicos muito melhores, mais gabaritados e tecnicamente incomparáveis, mas se eu tinha algo a oferecer, era minha experiência na estrada, minha vivência no sub mundo do underground e minha vontade de fazer acontecer. E estou aqui!
Eu não vim fazer o brasileiro louco do samba. Tá, vou precisar tocar um samba hora ou outra, mas não vou mudar o que sou. Vim mostrar sim, minha cultura, minhas raízes. E elas estão calcadas no rock. Hoje absorvo muito melhor a música brasileira e suas vertentes, até pela minha atual fissura na Tropicália, movimento setentista que veio a me seduzir depois da execução do meu lindo e ultimo projeto antes de sair de Birigui, a Tropicadelia (curtam a page, não custa nada). E hoje, essa mistura de tudo o que sou é o que estou disposto a mostrar e agregar com o novo eu que serei aqui. Não voltarei o mesmo, e é isso mesmo que venho almejando.
Postarei sempre que puder, contando as novidades e tudo o que parecer interessante. Se curtiu, continue acompanhando!
