Eu poderia dizer que parece que foi ontem. Mas não. Parece que foram exatamente 30 ou 31 dias desde o primeiro passo em terras moçambicanas.
Esse meio tempo foi suficiente pra perceber muita coisa. E pra notar muita coisa que eu não vinha percebendo, também. Mas, acima de tudo, foi uma seleção quase natural pra saber em quem confiar, ou não.
Trabalho não faltou. E pelo que noto, esse é só o começo de uma possível enxurrada de jobs que virão. Além de estar totalmente atrelado a Music Crossroads, ajudando na organização de eventos e/ou cuidando de mídias sociais, ainda temos papel fundamental na organização de um festival enorme que terá sua primeira edição aqui em Maputo (saiba mais aqui), e essa semana começaremos as aulas com os alunos do SOS, um projeto que ensina música pra uma molecada bem difícil, mas igualmente disposta. E todo esse direcionamento de tempo me fez perceber do quanto eu estou com saudade de uma coisa que eu achei que seria a última falta que eu sentiria aqui: tocar bateria. Não estou dizendo 'tocar'. Na escola de música que trabalho tem uma bateria na garagem. É ok descer lá e tocar um pouco, não há problema... Mas não é esse o 'tocar' que eu me refiro. É o sem as aspas.
Tocar.
TOCAR.
Pra valer, sabe? Esmurrar um prato de condução, quebrar baqueta, fazer (as famigeradas) caretas (que eu nem percebo, mas todos falam)... Nada muito diferente do que eu fazia em qualquer ensaio, em Araçatuba.
Claro, pode ser exigência demais pedir uma banda com o mesmo entrosamento de todas as que tive no Brasil. Mas torço para que o tempo e, parafraseando Mauro Junior, as pessoas interessadas e interessantes não demorem a aparecer. Até tenho cogitado estar com "sentimento guardado" por não conseguir liberá-lo em forma de atuação. De qualquer forma, as coisas se ajeitarão. Preciso acreditar nisso, afinal, foi pra isso que vim. Pra mostrar meu trabalho!
Mas, é claro, não estou reclamando. Tenho trabalhado em produções importantíssimas, aprendendo muito a cada dia, e o principal: conhecendo gente diferente. Tenho feito amizades revigorantes de uns dias pra cá. Algo que parece transcender. E dou graças a isso, já que sozinho eu não chegaria a lugar nenhum. Não que meus companheiros de casa não sejam bons. Só não parecem estar na mesma vibe. Eu sinto uma necessidade de desbravamento, uma gana de conhecimento, uma vontade. E junto comigo, acho que só vejo mesmo o Marcelo. Talvez seja uma coisa de brasileiro, mesmo. Ou talvez eu só esteja muito animado.
De qualquer forma, agradeço a todos os bons e ruins que entraram em meu caminho. Mesmo as novas amizades que percebi que tinha desde o Brasil. Todos me ajudam sempre, de uma forma ou de outra.
A rotina continua, e continuo procurando tempo para contar pra vocês.
Bom, ainda faltam oito meses. Acho que hora ou outra acontece.




