sábado, 14 de outubro de 2017

O que eu tenho ouvido

Semana que vem, mais precisamente dia 26, será o segundo mesversário da minha vida em Moçambique. Já chegamos num ponto onde nem tudo é uma novidade tão grande, e as pernas já andam sozinhas por alguns caminhos. A grande semelhança ao Brasil é o fato do dinheiro acabar antes do dia de receber. De resto, estamos nos redescobrindo e, consequentemente, descobrindo outras coisas fora de nós. Mas essa frase poética não tem nenhum outro cunho a não ser o de começar a falar de um simples objeto que salva minha  vida diariamente, e pode salvar a sua: fones de ouvido. Unidos num combo "celular com Spotify + um pacote básico de internet", temos mais uns dias úteis de vida. Nos momentos de bad, costumo fazer uso do meu kit de emergência, deitar na cama, me cobrir e ligar o ventilador (isso nunca fez sentido, mas faço, não nego) e perco horas ouvindo músicas tristes, pesadas, de auto ajuda, de auto depreciação, que me instigam a compor ou me deixam com vontade de nunca mais tocar um violão. Essa mistura de sentimentos faz parte do pacote, aliás. Vim falar então, um pouco do que tem tocado nos meus fones.

Não que Moçambique não seja rica musicalmente, jamais diria isso. Aqui é a verdadeira fonte do afrojazz, quizomba e da já clássica e tradicional marrabenta: a musica folclórica, que tem danças e letras populares. Seria como o samba é pra nós. Eu venho estudando essa riqueza musical, mas ainda não sei o suficiente para recomendar nada. Por isso, minhas playlists seguem com muito de uma fase que não sei porque está me consumindo desde antes da viagem, que é o tal 'novo rock nacional' repleto de influências tropicais. Decidi escrever sobre essas bandas que tanto me ajudam, indiretamente.


Em todas as horas que estive no avião, não só uma música, mas um album inteiro figurou no meu celular: Unlikely, do Far From Alaska. A galera de Natal que faz um rock potente. O ultimo trampo deles está fenomenal, e vale a escuta. Far From Alaska que faz parte da mesma produtora de outras bandas que nunca foram segredo pra ninguém a minha eterna admiração: Supercombo, INKY, Ego Kill Talent, Medulla, Scalene, entre outros (essas três ultimas com trabalhos fantásticos lançados ainda esse ano). Todos figuram em peso nos fones, além das novidades não tão novas, mas não menos quentes, como o ultimo álbum do Zimbra, ou a Fresno, que me fez represtar a atenção neles depois de tanto tempo.

Mas, chegamos as duas mais importantes desses meses, e que merecem um único paragrafo de destaque: O Terno e Maglore.
"Melhor do que parece" claramente é uma das maiores obras da nova música brasileira, e não digo apenas no rock. Sou admirador dos caras desde 2012, no primeiro album, em que explodiam juventude e lembravam Beatles, Stones e Mutantes. E, incrivelmente, tais como os exemplos citados, no último álbum a evolução é surpreendentemente visível e audível. Vale a audição do álbum inteiro com devida atenção.
E bem, o que dizer do Maglore? A mais grata descoberta desse ano, indicação do amigo e também enciclopédia musical (e futuro papai) Eduardo Martinez. Estava já aqui quando os caras lançaram o "Todas as bandeiras", o álbum que, literalmente, me faz levantar da cama. Letras simples, melodias complexas, tudo o que talvez seja providencial na musica atual. A escuta não só do novo álbum, mas dos antigos registros precisa fazer parte da sua rotina.

Bem, fiz uma playlist no meu perfil no Spotify com um resumo de tudo o que tenho escutado. Se você ainda não tem uma conta no Spotify, está perdendo tempo, pois é maravilhoso. Enfim, espero que curtam e que pelo menos uma dessas músicas possa fazer o dia de algum de vocês melhor.