quarta-feira, 30 de maio de 2018

#MozEm50Clicks #49

Amigos que viram amor. Amores que viram amigos. No final, somos todos família.
Obrigado a quem sabe que foi merecedor..
É um amor igualmente fraternal, e com gosto de 'até logo'.
Amor que não combina... Mas ninguém disse que precisava.
Amor é amor.


terça-feira, 29 de maio de 2018

#MozEm50Clicks #48

A vida é de tchau e de oi.
Serão tantos tchaus doloridos... Tantos tchaus que eu confesso que não queria dizer.
Alguns, aliás, eu já tive que dizer. E como doeu, meu Deus.

Mas tem alguém que deve tá com uma dor ainda maior. Com uns tchaus entalados. E com um que deve ter rasgado a alma.
Hoje é aniversário de um dos tchaus mais difíceis que dei. Mas que será um oi que valerá por muitos, muitos anos.
Muita gente em Moçambique me ajudou muito. Mas teve um alguém de fora que me ajudou a querer ser ajudado por Moçambique.

Hoje é aniversário da Karoline, a MOVER de Presidente Prudente (salve!) que está no Malawi.
A foto de hoje não é em Moçambique. É um #TBT de momentos frios e igualmente quentes na Noruega.
Daí você dirá: Renan, porque #TBT se nem é quinta feira?
Eu respondo: Foda-se.

Parabéns, Karolinda. Deus te elimine, tenha um último dia aí. 

A imagem pode conter: 2 pessoas, céu, atividades ao ar livre e natureza

segunda-feira, 28 de maio de 2018

#MozEm50Clicks #47

Eita tchau difícil de falar. Não imaginei que seria tão trash. Foi quase um ano, vivendo como família. Quando a gente se acostuma, acaba o tempo.
Hoje os dois noruegueses foram embora. Eles são só dois, mas agora a casa parece mil vezes mais vazia.
Faltam três dias, mas confesso que sem eles, vão parecer três meses.

Boa sorte, Benjamin e Kristine. Ainda nos veremos! Só preciso ficar rico.

domingo, 27 de maio de 2018

#MozEm50Clicks #46

Amanhã os noruegueses vão embora. Fizemos um pacto no almoço: Cada um tira uma selfie no celular do outro. O resultado é esse.
PS: Tiya tava na igreja, pra variar. Só selfie em Cristo, com ele.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

#MozEm50Clicks #44

Os aprovados na primeira seletiva do MOVE se encontrariam na sede do Projeto Guri, em São Paulo. Cheguei seis horas da manhã, a sede mal tinha aberto, e lá já tinha um moleque, todo bem vestido e com cara de sono. Só estávamos eu, ele e o Gabriel, um outro mover, que na real acabou de passar para ir a Noruega (go Valparaíso!). Nós três fomos ao beco do Batman, demos umas voltas, acabamos ficando mais próximos para as outras seletivas, e o resto é história.
O dia da resposta dos selecionados para o intercâmbio era no mesmo dia da estreia do meu espetáculo mais importante. Estava duplamente ansioso e nervoso. Eu já estava na idade limite, se eu não passasse agora, não teria mais chance. No caminho para o teatro o grupo dos movers no whatsapp começou a apitar desenfreadamente. "Fui aprovado, vou pra Noruega", "consegui, vou pro Malawi"... Entre esses, Marcelo. Eu fiz as contas, quase todas vagas já tinham sido preenchidas e ninguém tinha me ligado ainda. Chamei ele no privado. Ele sabia do meu desespero pra passar. "Cara, parabéns! Uma pena que não nos encontraremos...", e ele respondeu "tenha fé, confia no seu trabalho" e cinco minutos depois, recebo a ligação. Comecei a pular na rua, abracei os amigos que estavam comigo, e o chamei de novo. "Passei! Vamos juntos pra Moçambique!" e ele respondeu "Sim, eu já sabia. Eles já tinham me falado... Quis manter a surpresa!". Primeiro, eu tive muita raiva pois passei os minutos mais angustiantes da minha vida. Mas hoje, tudo faz mais sentido. E o resto é história.
Ele nunca tinha andado de avião. Me mandava mensagens todo dia perguntando sobre peso de mala, projetos, o que comprar ou o que fazer. Na Noruega, qualquer paisagem era tema da frase que ele sempre dizia: 'cara, que que a gente tá fazendo aqui?'. Logo em seguida, perdíamos o jogo. (Aliás, quem joga O Jogo, perde aí).
Se emocionou vendo o concerto no palácio do rei, em Oslo. Vendo ele chorando, todo mundo chorou junto.

Chegamos em Moçambique, acabamos não ficando no mesmo quarto. Começamos a fazer comida juntos, mas naturalmente fomos percebendo que temos tempos e gostos diferentes para essas coisas. Ele conta as histórias dos amigos de Pilar do Sul, Cerquilho, Tietê e todas as cidades em volta.
Tivemos momentos memoráveis. Ele tocou no violão do Yamandu Costa, do meu lado. Estavamos tão bêbados que era difícil acreditar que era real. Levamos o Yamandu pro hotel, vimos ele fazer as malas. Dia pra sempre.
Nós acabamos de fazer o nosso melhor concerto aqui, na Fundação Leite Couto. Ele foi o mais aplaudido, ovacionado. Recebeu os aplausos na boa, e agradeceu tocando lindamente. Meses antes, num bar, ele estava discutindo com um rapaz moçambicano que dizia que nós vínhamos ao país para fazer turismo, e que eles não precisam de nós nem da nossa ajuda. Nesse dia, eu o vi chorar. De tristeza, de frustração, de impotência. Alguns meses depois disso, eu vi se espremer no sofá, gritando de dor por causa de uma inédita pedra no rim. Nesse dia, eu o vi chorar. De despesero, de dor, de raiva. E todas essas lágrimas, por todos esses motivos, fizeram muita coisa pra esse cara. Ele participou de uma das maiores e mais antigas bandas de Moçambique. Fez concertos sozinho. Deixou um pouco de lado o violão clássico e estava hoje tocando uma guitarra com distorção. Cresceu como gente, também. Mais paciente, mais calmo, calculista. Aprendeu a comer cebola. Parou de chorar.

Se nossas vidas não tivessem sido forçadas a se cruzar, talvez nós nunca fôssemos amigos. Somos duas pessoas completamente diferentes. Não somos o perfil de amigo que o outro tem. Mas esse é o grande lance. Quem diria que num intercâmbio envolvendo quatro países, eu aprenderia as maiores lições que poderia com um muleque de uma cidade a algumas horas da minha.
Vocês ainda vão ouvir falar de Marcelo Brito por aí. Podem anotar.
E o resto será história


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quinta-feira, 24 de maio de 2018

#MozEm50Clicks #43

Tiya não é o mais atento dos humanos. Na real, ele é bem perdido. Sempre atrasado, desorganizado. É quase um charme, se não irritasse hahaha
Mas isso tudo não tira o mérito que esse guerreiro conseguiu aqui.

Ele passou por muitas dificuldades. Tem lá seus problemas com adaptação e aprendizado. De todos os outros meninos, ele é o único que ainda não conseguiu falar português. O Helder ensinou ele a falar 'puta que pariu', e ele ta adorando dizer isso todo dia. Espero que ele não diga isso na igreja... 
Alias, Tiya é muito religioso. Todo domingo, sem falta, as sete da manhã ele abre a cortina (ocasionando uma pequena ensolação nos meus olhos, mas ok), coloca a camisa, o terno, e vai para o culto. Ele sempre foi bastante fiel, mas depois que ele acabou perdendo a mãe enquanto esteve aqui, se tornou ainda mais crente nas suas próprias crenças. Foi a primeira vez que um MOVER perdeu os pais enquanto estava no intercâmbio. Ele precisou voltar para casa, acompanhou o velório, que aconteceu exatamente á vespera de natal, e retornou depois do ano novo. Após isso, ele voltou muito mais leve. Parece que, apesar do peso de ter que retornar não por um motivo bom, rever o Malawi um pouco deu uma espécie de refrescada na cabeça dele. Não era mais o menino perdido, que não saía do quarto porque tinha medo de não saber se comunicar. Hoje ele tem a banda da igreja, pega o ônibus e só volta de noite, teve até uma namorada. Foi meio tarde pra descobrir tudo isso? Talvez. Mas o Tiya é a prova viva de que tudo tem seu tempo, dentro do tempo pessoal de cada um. E que também é na merda que aprendemos as coisas boas.
Ele volta sem falar português, mas isso é o de menos. Crescimento intelectual tem muito mais a ver com o crescimento pessoal. E nisso, não posso negar. O Tiya cresceu, e muito.


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