quinta-feira, 30 de novembro de 2017

CHAPTER FIVE: OUTRAS COISAS

Um vídeo com nada, sobre nada. Apenas as várias amenidades da vida em Moçambique.
Se quiser ficar por dentro, se inscreva! Tem muito mais por vir!


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A Sétima Corda - Yamandu Costa em Moçambique

Pouco antes de entender a confusa e inteligentíssima simbologia das notas musicais usando as letras do alfabeto, eu por vezes me perguntava qual o sentido daquilo tudo. Se o fá é representado pelo F, porque o D não representa o dó? Por que o sol não pode ser simbolizado por, sei lá, um S? Faria mais sentido, admita.
Usando as cordas do violão em uma afinação utilizada numa maioria massacrante de músicas pelo mundo, temos mi, si, sol, ré, lá e mi de novo. Um conjunto harmônico perfeito. Dois ou três dedos posicionados de forma correta podem fazer a mais linda das notas de uma canção. Unindo ciência, matemática e técnica, reproduzir o som dessas seis cordas é notoriamente uma arte. Qualquer coisa além disso teria tudo para dar errado, certo? Errado!

A sétima corda, acreditem, é a mais grave de todo o violão. O dó, ou C (não faz sentido!) é tão marcante, forte e atraente que faz as vezes de outro instrumento tão popular quanto o nosso velho amigo: o contrabaixo.
Trocando em números: 10 dedos, 7 cordas, execução simultânea de pelo menos 3 vertentes instrumentais diferentes. Atrás de toda essa contagem, apenas um cérebro. Que pra entender tudo isso com tanta propriedade, imagino estar dividido em mais algumas incontáveis partes. Mas é ele. Apenas um homem. Fora de forma fisicamente e em plenas faculdades mentais intelectualmente. Vestido em paletas azuis, um óculos fundo de garrafa, chinelos velhos e um andar desengonçado e manco.
Eu não o via ha 10 anos, desde uma apresentação memorável no SESI de Birigui, cidade que represento aqui em Moçambique. Na época, menos rechonchudo e preciso, revezando entre histórias hilárias e execuções surreais, quando a sua tão marcante sétima corda quebrou, pegou emprestado o violão de segunda mão de algum fã na platéia e continuou uma das mais brilhantes noites da vida daquela platéia. Uma década, turnês internacionais e merecidos prêmios depois, Yamandu estava no mesmo metro quadrado que eu. Uma década, uma primeira viagem fora do Brasil e algumas tentativas de consolidação musical depois, eu encontrei de novo o melhor violonista fruto de terras tupiniquins.

Chuva torrencial, como há muito não se via em Maputo, atrasou o inicio da programação de um dos mais populares festivais de jazz de todo continente: o workshop do mestre Yamandu Costa. Se pra mim já era de uma emoção incalculável, imaginem para o Marcelo, que tem no violão clássico todos os seus planos. Nos prontificamos a enfrentar a chuva e qualquer outro pseudo desafio que poderia nos afrontar. Fomos ao workshop, tivemos momentos fantásticos, diálogos inspiradores e uma paz de espírito que vale sempre a pena ter por perto. Depois disso, o sol até voltou a cortejar a já não tão quente Maputo.
Noutro dia, o concerto estava recheado de gente importante e de público espontâneo. Não houveram cadeiras que suportassem a massa sedenta por aquelas amostras tão únicas da fusão gaúcha de música tradicional sulbrasileira com algumas embaladas características de países sulamericanos como Uruguai e Argentina. No repertório, novidades e clássicos, permeando tudo o que de mais insano Yamandu viveu nessa carreira longeva. Depois do fantástico concerto, uma oportunidade única: ir a casa do embaixador do Brasil, num coquetel em comemoração ao sucesso que foi esse evento. Não só comemos como nunca e bebemos como sempre, como fizemos amigos importantes e estávamos ali, a alguns passos do mestre percursor das sete cordas no Brasil.
Todos foram saindo, aos poucos, como em toda festa normal. Uns pois tinham compromissos, outros pois o álcool já os consumia. E lá estávamos nós. Embaixador, sua esposa, Yamandu, seu produtor, Matheus, Marcelo e eu. Um pouco depois que nos vimos sozinhos naquela sala de estar enorme, chegou o tão esperado violão. Naquele pocket show privado que tivemos, regados a choros (musicais e lacrimais) e cervejas, mesmo com toda a importância do momento, eu admito: por vezes, dei aquela pescada. Aquela cochilada que você nunca sabe se durou cinco segundos ou dois dias. Eram oito horas da manhã, minhas cabeça não aguentava tanta emoção e minhas pálpebras não suportavam mais a exaustão.
O sol nascia na janela. A vista para o mar, uma brisa fria, um copo de cerveja e uma trilha sonora ímpar. Se antes fosse esse o nosso fim de 'noite', estaríamos suficientemente contemplados. Mas ainda tivemos o prazer exaustivo de acompanhar Yamandu ao hotel (onde tomamos mais duas rodadas, provando o quanto a idade não o cansou) e recebemos lindos presentes: CD's, DVD's e sua amizade. Conselhos que sempre nos seguirão, orientarão e serão uma das mais lindas e duradouras lembranças de um final de semana lindo, realizador e duplamente maluco.

Yamandu foi, em Moçambique, o retrato do brasileiro. Foi depois de 10 anos, o mesmo cara que usou um violão simples e usado para terminar seu concerto. Foi a calma, a paciência e a serenidade. A humildade, acima de tudo. Yamandu sendo Yamandu, para variar...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CHAPTER FOUR: SOS

Crianças sorrindo, cantando e dançando. Nem sempre é assim, mas até mesmo quando eles fazem arte, são adoráveis. Espero que nesse vídeo vocês consigam entender um pouco do que estou tentando dizer.

Quer ficar por dentro dessa minha aventura maluca? Se inscrevam! Não custa nada <3


terça-feira, 21 de novembro de 2017

CHAPTER THREE: LOUD

Eu falei um pouco sobre o LOUD no texto anterior. E aqui, vocês podem ter uma noção visual de tudo o que aconteceu nesse dia fantástico!
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terça-feira, 14 de novembro de 2017

LOUD e o feminismo necessário

Emponderamento nunca é demais. Principalmente onde ele carece. Essa é a temática inicial do LOUD, um acampamento para meninas. Nesses dias, juntas, elas aprendem sobre força, respeito e pincelam por todo tipo de arte: literatura, música, dança e tudo mais que se enquadre. 
O evento foi um sucesso muito por causa da ajuda voluntária de muitas mulheres que também tem sua história dentro do contexto. Além das funcionárias da Music Crossroads, das atuais MOVER's e das próprias alunas do projeto SOS, tivemos a presença especialissima e aconchegante de amigas que fizemos na época da Noruega (que chique dizer isso), Sophie e Ingrid. A segunda delas, vale lembrar, é a fundadora da banda Diva'z, formada apenas por mulheres e que já vive seu segundo ano de história.

Foram três dias de confinamento. Crianças de aproximadamente 8 a 15 anos tiveram esse tempo para ouvir e aprender sobre música, além de formarem bandas e precisarem compor uma canção para a apresentação final. Poucas pessoas conseguem compor uma musica decente em três dias. E claro, não saiu nenhuma virtuose de lá. Mas para crianças na idade que estavam, com o tempo que tiveram e com os instrumentos que foram oferecidos, fizeram não só música, mas história. Em todas as apresentações, uma pausa acontecia e um poema era recitado. Muitos deles falando sobre sentimentos, convivência e até sobre a guerra de Moçambique, que aconteceu a não tanto tempo atrás e que chacinou africanos por todos os lados. Não era só feminismo que víamos ali. Era um engajamento geral. Algo que não vemos sempre, nem mesmo entre adultos em países desenvolvidos.

O medo que fica é o de isso se perder com o passar do tempo. Culturalmente, não só Moçambique mas boa parte da África tem seus costumes machistas. Como qualquer outro lugar, claro... Mas aqui o buraco parece ser ainda mais embaixo. O machismo é ideia fixa, inclusive, nas próprias mulheres. É algo quase impregnado. E não será muito estranho se a sociedade e sua subcultura dissolverem tudo o que essas meninas ouviram em três dias e que muito provavelmente não ouvirão mais durante todo o resto da sua vida.
Exemplo de como isso é mais sério do que parece, é que em partes mais distantes da capital existem tribos que educam as jovens a saberem cuidar de um marido, desde os afazeres domésticos até a hora do sexo. E coisas como essas não são exclusividade de Moçambique. Chisomo, minha companheira de casa, comentou sobre o porquê de muitas das mulheres terem o cabelo raspado em seu país, o Malaui. Na escola, cortam o cabelo das garotas para não parecerem atraentes aos meninos, não arranjarem 'namoradinhos' e, consequentemente, focarem melhor nos estudos para serem boas mulheres. Esses pensamentos retrógrados crescem junto com a menina, fazendo com que algumas delas até concordem com tal.
E foi depois que eu soube disso que o valor do LOUD na minha concepção aumentou exponencialmente. E mesmo que o que aquelas crianças ouviram em três dias de ensinamentos de força e resistência seja enferrujado pelo tempo e pela asfixia do machismo, é gratificante saber que, por ao menos três dias, elas souberam que são mais fortes do que aparentam.

domingo, 12 de novembro de 2017

CHAPTER TWO: IN MOZAMBIQUE


O segundo capitulo dessa aventura são nossos primeiros momentos em Moçambique, o país que é nossa casa de agora em diante. Se quiser ficar por dentro de todos esses vídeos, se inscreva no canal 
PS: Kristine mandando benzão na edição!


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Takulandirani New Home!

Lembram do blog do MOVE, que eu disse no texto passado? Então, minha amiga Karoline Ribas acabou de postar o texto dela! Ta fresquinho, e você pode dar uma lida nele em inglês por aqui. Como ninguém é obrigado a entender inglês fluentemente para ler um baita texto desse, eu pedi a autorização dessa maravilha de menina para postá-lo aqui, no Capulana, em português. Dá uma olhada no talento dessa jovem! <3

Foto: Karoline Ribas

'Meu nome é Karoline, tenho 22 anos, estou morando em Lilongwe no Malawi. Hoje a caminho do centro da cidade, dentro de uma van com capacidade pra 12 pessoas,  estávamos em 19, fora a criança no colo da mãe que dormia tranquilamente sem se importar com o calor, o barulho das buzinas e transito louco, refleti como vim parar aqui.

Essa é minha primeira viagem internacional, é a primeira vez que passo mais que um mês longe de casa, longe da proteção e conforto dos meus pais, longe dos amigos e da correria que a minha rotina sempre teve. Após cursar 4 anos e meio de faculdade, faltando apenas 6 meses para concluir o curso de Arquitetura e Urbanismo, abri mão do sonho da graduação para vivenciar a experiência do intercâmbio. Morar em outro país, onde a língua predominante é o inglês no qual eu não domino, conviver com pessoas de nacionalidades e culturas diferentes. Resolvi me desafiar. 

É bem mais complicado do que eu pensava, e a saudade é a pior inimiga agora, porque ela aperta o coração e em alguns momentos me tira da realidade atual que é aqui, aqui onde eu devo ficar agora e curtir cada segundo. Mas todos os dias que a saudade aperta, essa oportunidade me presenteia com momentos simples e completamente cheios de amor, que mostra o quanto vale a pena estar aqui vivenciando tudo isso. Momentos como abrir o portão de casa e nem se quer por o primeiro pé para fora e ser acolhida por várias crianças te saudando, e um simples cumprimento de mãos, arrancar sorrisos contagiantes, gargalhadas sem contar na farra que elas fazem, é mágico, te faz sentir verdadeiramente acolhido, te faz sentir especial por estar aqui.

Todas as vezes que os instrumentos pesam a caminho da Music Crossroads e começa doer o braço ou as costas, sempre tem uma mulher carregando um balde pesado equilibrando na cabeça vindo ao meu encontro, e como se não bastasse os kilos em sua cabeça, ela carrega seu filho amarrado com chitenje nas costas e não transparece dor ou cansaço, transparece força e resistência, o que mais precisamos todos os dias para darmos nosso melhor. 

Esse mesmo caminho para a escola é sempre interessante, pois diferente do normal que é andar pela calçada, com ruas pavimentadas, aqui andamos na rua, toda de terra, tem cheiro de fazenda, tem crianças brincando pela rua, tem olhares de curiosidade voltados pra nós, tem mesinhas improvisadas que vendem tomate e cebola em frente às casas, tem atalhos por entre os quintais que nos convidam a encurtar o caminho e acaba por "invadir" a privacidade de famílias que moram naquelas casas (a maioria sem muros e grades). É importante ressaltar como podemos transformar o olhar dos malawianos de curiosidade para acolhimento, basta cumprimenta-los em chichewa que eles abrem um sorriso como quem quisesse dizer "você é bem vindo aqui", e se você falar errado eles vão rir, uma risada que não vai te menosprezar, mas vai te fazer rir também e no final será divertido para ambos.

Os tons pastéis agora estão recebendo tons verdes vivos pois a seca está acabando, árvores que só possuíam galhos secos agora estão sendo preenchidas por folhas proporcionando sombra fresca para amenizar o calor, o calor aqui é muito intenso, mais que na minha cidade no Brasil, famosa pelo calor insano. Saudades Presidente Prudente! 

Dormir requer todo um processo, pois usamos mosqueteiro nas camas para nos proteger dos mosquitos transmissores da temida malária, e após alguns minutos de cuidado ao vedar a cama, você se deita para descansar e sempre tem um (ou mais) mosquitos cantando no seu ouvido, isso é terrível, mas faz parte do pacote, e desenvolve a habilidade ninja de tentar exterminar esses pequenos vilões.

Acredito que tudo isso possa parecer pequeno pra você que está lendo, mas é um pouco do que passamos aqui todos os dias. É estressante lidar e morar com pessoas de outras culturas, eu moro com dois Noruegueses, dois Moçambicanos e uma Malawiana e o choque cultural acontece todos os dias, mas às vezes o choque é divertido, ele sempre ensina algo e tudo vale a pena quando finalizamos uma performance no palco, com a nossa banda mista de nacionalidades e brindamos com uma cerveja (quente na maioria das vezes). Sou muito grata pelo que está acontecendo e pelo que ainda está por vir. 

Zikomo kwambiri!'

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CHAPTER ONE: OSLO

Sei que fiquei um tempo sem postar. Mas estava trabalhando exatamente neste vídeo! Eu e minha amiga Kristine capturamos e editamos essas imagens para vocês conseguirem sentir um pouco do que foi a passagem por Oslo, na Noruega. Mais videos estão por vir! Aguardem!