sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

CarnaMoz 2018

Não escrevo aqui desde o ano passado (literalmente). Mas o recesso precisava ser, de fato, RECESSO!
E como bom brasileiro, o recesso só acaba depois do carnaval, mesmo fora das terras tupiniquins.

Voltamos ao trabalho, as aulas, aos ensaios, e sobrevivemos ao carnaval moçambicano. Não foi tão parecido com as festas que vemos no Brasil, mas foi gigante. E tinha caipirinha, o que ajuda muito!
Por mais que não seja a cultura que voga por aqui, tem muito de Brasil em Moçambique (ou de Moçambique no Brasil), e nesse final de semana de carnaval, eu senti um frescor que me lembrou minha terra. Eu e os amigos, com umas latinhas de cerveja, com fantasias ridículas, se apertando em um carro para irmos á uma festa que não sabíamos o que esperar! Naquele momento eu sorri sozinho. Era o que eu mais precisava por hora, pois coincidentemente, uns dias antes fui acometido a uma avalanche de saudade e vontade de chorar ao som de Oasis. E quem me viu no CCBM sabe que se tinha uma coisa que eu não estava, era triste.


O Centro Cultural Brasil Moçambique organizou uma bonita e aconchegante festa de carnaval, que começou as duas da tarde e foi até o fim dos tempos. Desde marchinhas a funk carioca, todos dançavam e cantavam. As fantasias iam desde Lampião a Wally e a cada hora aparecia mais gente fantasiada e ainda mais maluca. Quando eu não podia estar mais contente e rindo a toa, conhecendo gente nova e reencontrando antigos amigos, dando entrevista bêbado pra TV moçambicana e com o copo de caipirinha ainda cheio, surgiu um bloco! Uma galera uniformizada, com uns instrumentos improvisados, caras pintadas, tocando O TERROR! Fizeram uma roda no meio da galera e entoaram músicas do arco da velha do folclore carnavalesco. E era um bloco emponderado! Com mulherada mandando ver no surdo, na caixa, no chocalho e no samba no pé. Foi nessa hora, ao som de 'quem me ensinou a nadar', que decidi fazer uma panorâmica mental. No bloco: brasileiros, moçambicanos e portugueses, brancos e pretos. Em volta, dançando e cantando: adultos com bebês de colo, crianças dançando dentro da roda, senhores e senhoras juntos cantando todas aquelas antiguidades. Brasileiros, moçambicanos, gente de países que não se percebe a olho nu. Olhei pro meu lado esquerdo e meus três amigos noruegueses dançando e tentando cantar as músicas. Olhei pro meu lado direito e tinha uma criança muito pequena, vestida de Homem Aranha, pulando quase tão alto quanto sua própria altura. Nos segundos em que percebi tudo isso, meu ascendente em câncer falou mais alto e meu olho marejou. Acabei chorando um pouco. Ao som de um bom samba.
Minha amiga me perguntou: Tá tudo bem?
- Não poderia estar melhor

Depois de chorar e me deliciar com aquela epifania maluca, fui buscar mais uma caipirinha. Eu e meus amigos fomos para uma outra festa de carnaval, comer uma feijoada e curtir um pagode. Confesso já não lembrar muito dessa parte, mas sei que foi divertido! Uma cortesia da Music Crossroads para mudarmos um pouco os ares, e foi providencial! Obrigado!


Quando eu tinha uns 15 ou 16 anos e estava começando minha carreira como músico roqueirinho, sempre achei o carnaval simpático, mas meio cafona. Toda essa gente fazendo loucuras, desfiles enormes, felicidade transbordando... Tudo isso me soava quase falso! Algum tempo depois, passei a entender melhor as festividades, mas pouco aproveitava, já que na maioria das vezes eu estava tocando em bares ou blocos, vivendo o final de semana do ano em que eu mais lucrava e menos curtia. Nesse ano, estou em outro país. Não toquei, não lucrei, mas vivi um carnaval frenético. Pulando, dançando, cantando, bebendo e me divertindo. Foi um carnaval que, até onde me lembro, eu nunca tive. E foi bem bom! Não foi um carnaval brasileiro. Não foi um trio elétrico, não foi uma festa de rua nem nada disso. Foi uma festa tipicamente brasileira concebida de forma tipicamente moçambicana: Com alegria, acima de tudo.

Fato engraçado: Tinha uma senhora fantasiada de baiana. Pensei "Nossa, que ofensivo! Baiana não é fantasia!". Fui falar com ela, e ela realmente era baiana. Segui o baile.

Parabéns ao Centro Cultural Brasil Moçambique, Embaixada do Brasil em Maputo e todos envolvidos em mais esse evento de sucesso.

Voltaremos aos trabalhos! Fiquem por dentro por aqui e no canal do Youtube.

Fotos: Dinho Lima @camisaflorida