Pelo que pude perceber, Maputo não é uma cidade conhecida pelo espírito natalino. Claro que usando referências como São Paulo, conhecida pelas belas decorações na Avenida Paulista, ou até mesmo Birigui, que tem parte da renda anual revertida apenas para as luzes na Praça Doutor Gama, fica difícil mesmo comparar. Mas a diferença mais notável são as ruas ainda mais vazias do que escuras. A semelhança fica pelos supermercados lotados. De resto, eu realmente senti falta de algo. Um lance fraternal, mesmo. Essa coisa besta de que ficamos mais generosos nessa época, e achamos que fazendo boas ações vamos compensar as merdas que fizemos ao longo dos outros 359 dias do ano. Esses momentos de sanidade espiritual fizeram eu me sentir ainda mais longe de todos os lugares que eu costumo chamar de casa. Até que um pedacinho de Brasil chegou na minha mão
Tivemos visitas. Uns amigos noruegueses que estão vivendo no Malawi pelo mesmo intercâmbio que nós vieram passar o natal conosco, e o Jonas, que mora com a Karol, trouxe um cartão de natal, dela pra mim. Com uma letra de forma que meu cérebro enTOCado agradece imensamente por ter lido, e algumas daquelas piadas que só eu ela entendemos. Depois da metade, minha leitura foi prejudicada pelas lagrimas. Uma, aliás, caiu no cartão, e acabou manchando um pouco (desculpa, Kiwizera). Depois que li, fechei o cartão, guardei nas minhas coisas, deitei na cama e sorri.
Eu não sou popular pela minha crença em religiões ou seguimentos do mesmo, mas depois daquilo, algumas coisas mudaram de contexto na minha cabela. Natal não é só luzinhas piscando, não é presente caro, não é gente sorrindo pela rua, não é panetone e nem nada disso. O natal quem faz é você e quem você quer que esteja perto. Não precisamos celebrar o aniversário de Jesus, precisamente (até porque eu sigo duvidando que ele seja mesmo capricorniano). A cada dia 25 de dezembro, em que nosso corpo e mente sentem que um ciclo vai se encerrar, celebramos o nosso próprio reaniversário. Nosso ressurgimento. A chance que temos de ser melhor, pior, a mesma merda, e isso independe. Será novo. E por si só, será.
Natal não é sobre Jesus. É sobre nós.
Obrigado, Karol.
